A porta? Pesam-me os anos Não a idade Que a essa, já lhe perdi o conto; Pesam-me os dias Sempre iguais O Sol Nasce Almoça E põe-se Porque é que um dia destes Resolve o Sol não nascer? Dizia: - hoje não nasço e pronto!
Cansa-me Esta eterna Previsibilidade do imprevisível futuro. Porque não nascem rosas pretas? Eu nunca vi uma rosa preta E se há rosas amarelas É porque cor-de-rosa e amarelo são ambas a mesma cor.
Que confusão Os dias são Eternamente e previsivelmente Igualmente desiguais.
Pesa-me o ser, este fingir que vivo Que na realidade é desviver. - Então como vai a vidinha? Perguntam. - Vai andando, respondo, Para não dizer que vai desandando Não quero ter que explicar porquê. Porque motivo querem as pessoas saber sempre tudo O que não interessa? Se é que alguma coisa interessa Nesta vida.
Doem-me os pés neste descaminho que percorro Onde me arrasto, neste eterno Sonha-que-logo-alcanças Sem nunca alcançar seja o que for.
Qual o sentido das coisas? Ou as coisas não têm sentido? Então se as coisas não têm sentido, porque temos que lhe inventar um?
Irritam-me os políticos Os intelectuais Que julgam saber de tudo Quando não sabem de coisa nenhuma A não ser alardear a sua imbecil não-inteligência.
Irrita-me Este ódio, Esta guerra, Esta mentira, Esta inveja Esta ganância Toda esta mesquinhez Todas as injustiças Não era suposto sermos todos humanos? Não era suposto sermos todos racionais?
Irritam-me as luzes da noite Que me impedem de ver o brilho das verdadeiras estrelas
Irrita-me o barulho dos carros Que me impede De ouvir o vento De ouvir o mar
Irrito-me de mim própria Eterna desconhecida De um eu que não sou eu
Quero ir-me embora Deixem ir-me embora
Digam-me só uma coisa Por favor
Onde é a porta da saída? |
Nome da Poeta : Maria Madalena Rosa de Abreu Garcia Matos da Silva .
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